"Beleza, cultura, esporte, lazer, moda, negócios, e muito mais..."
Revista Destaque News
Instagram da Revista Destaque

Daqui a 30 dias Prudente pode ter 2 mil casos de Covid, alerta pesquisador
Pesquisador diz que ano de 2020 foi de transformações

Publicado em 02/06/2020
compartilhe esta notícia:

Daqui

 Com o surgimento corriqueiro de epidemias virais nos últimos 10 anos, uma pandemia já havia sido anunciada por cientistas, mas a sociedade não isso levou a sério. Essa citação foi dada pelo pesquisador da Unesp Raul Guimarães no último sábado, 30, em transmissão online na página da Sociedade dos Livres Pensadores Presidente Prudente.

 

 

Conforme o pesquisador, a Covid-19 pode ser apenas a primeira pandemia do mundo globalizado, isso porque, na medida em que os seres humanos manipulam a natureza, favorece a inclusão de vírus no circuito na vida humana. “Existe um mapeamento genético o qual diz que existem 3 mil tipos de coronavírus na Amazônia brasileira, portanto, para a ciência, não restam dúvidas de que com o desmatamento, o Brasil possa ser um epicentro de uma pandemia no futuro", ressaltou Raul.

 

 

Como bem lembrado por Raul, um vírus com cerca de 50 a 200 nanômetros chegou para abalar nossas estruturas. Nos trouxe uma reflexão sobre a influência da natureza em conjunto com o sistema econômico e político e o papel do conhecimento científico. “Com o isolamento social, houve uma regeneração do meio ambiente e diminuição da emissão de poluentes em diversas partes do mundo; tema que, inclusive, foi discutido em reunião da Organização Mundial da Saúde”, salientou. No dia 04 de junho completaremos 100 dias de Covid no Brasil.

 

 

De acordo, no início de maio, no Estado de São Paulo, não havia uma cidade com mais de 100 mil habitantes sem Covid. Já no final do mês, essa estatística passou para cidades com 15 mil habitantes. “A faixa litorânea da costa brasileira conta com mil municípios, desses, hoje, restam 30 cidades sem Covid”, disse.

 

 

Há 30 anos, Raul Guimarães trabalha no departamento Geografia no Laboratório de Biogeografia e Saúde na Unesp de Presidente Prudente. Desde novembro, estuda intensamente sobre a Covid-19, em conjunto com discentes e docentes de medicina e bioestatística da USP e Unicamp, cujo objetivo é o colocar o conhecimento científico à disposição da gestão pública.

 

 

O estudo baseou-se em uma difusão espacial da Covid no território paulista, onde foi identificado um modelo de difusão hierárquica, ou seja, processo de transmissão feito das maiores para as cidades menores, feito uma cascata. “Identificamos 13 cidades do interior paulista que tinham um risco maior de receber a disseminação viral, e uma dessas foi Presidente Prudente. Isso ocorre por dois componentes, a aglomeração e a mobilidade. Além disso, Prudente tem uma forte integração com outras cidades”, informou.

 

 

Raul também explicou que em Prudente há uma transmissão exponencial e ainda não se sabe quando atingiremos o teto da curva. “Nossa taxa de transmissibilidade é de quase dois, e isso é muito alto. Em Prudente, cada indivíduo infectado (sintomático ou não) transmite para duas pessoas”, detalha. Segundo, o correto seria menos 1 (-1), quando a curva começa a cair, e um indivíduo transmite o vírus para menos de uma pessoa.

 

 

Sendo assim, se no momento temos 400 confirmados, daqui a 30 dias, podem ser 2 mil. “Nossa região conta com 50% da taxa de ocupação dos leitos de UTI até o momento, no entanto, em 30 dias, vamos atingir 100%”, alertou. “Conversamos com o poder público municipal, no sentido construtivo, e informamos que é preciso ampliar a capacidade de leitos de UTI com respiradores para absorver esse crescimento”, pontuou.

 

Na projeção do estudo, Prudente atingirá o ápice de casos confirmados no fim de junho. “Tudo dependerá conforme o comportamento da população na flexibilização a partir desta segunda-feira [1 de junho]”, disse.

 

Pós-pandemia

 

Novamente, Raul salientou que a humanidade assiste apenas a primeira pandemia da globalização, e há quem diga, essa não será a última. Mas o que se sabe, segundo, é que a Covid-19 (SarsCov2) será uma doença endêmica. “Sem dúvidas, 2020 é um ano referência para diversas transformações, desde o modo como vivemos a mudanças geopolíticas, dentre outros”, pontuou.



Fonte: Francinara Nepomuceno Assessora de Imprensa

<< voltar