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Casos de Leishmaniose requerem atenção da sociedade civil

Publicado em 05/08/2021
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Casos

 Até junho de 2021 foram notificados 10 casos em humanos e 63 em cães, segundo a Vigilância e o CCZ; Unoeste realiza estudos e campanha de prevenção à doença

A Leishmaniose é uma doença transmitida pela picada da fêmea do mosquito-palha, que afeta cães e humanos e faz parte do grupo de doenças negligenciadas listadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Inclusive, este órgão apresenta um relatório onde mais de um bilhão de pessoas estão infectadas com uma ou mais doenças, ou seja, um sexto da população mundial. Embora as doenças negligenciadas tenham como características a pobreza e a falta de acesso aos serviços de saúde, em Presidente Prudente dez pessoas de diferentes regiões da cidade foram notificadas. Motivo que impulsiona a realização de pesquisas e campanhas de prevenção à doença como as ações realizadas pela Unoeste.

O infectologista e professor do curso de Medicina da universidade Dr. Luiz Euribel Prestes Carneiro explica que a leishmaniose pode se apresentar de duas formas: a visceral, cujo vetor pode ser encontrado em centros urbanos; e a tegumentar, comum em matas. “É importante que as pessoas saibam quais são os sintomas causados pela leishmanioses. Na visceral, são quadros de febre, emagrecimento, palidez, aumento do baço e do fígado, já a tegumentar apresenta feridas tipo ulcerada e pouco dolorida, especialmente nas partes expostas às picadas do mosquito-palha, como braços e pernas”, informa o médico infectologista que ressalta a importância de exames laboratoriais para a confirmação da doença.

O tratamento, segundo o docente, tem grandes chances de cura e é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “São duas maneiras de tratamento. Um tem custo elevado e faz o uso de medicamentos por poucos dias. O outro é acessível e um pouco mais demorado, mas ambas necessitam de internação e apresentam o mesmo grau de eficiência”, conta o médico, que destaca a importância do rápido diagnóstico e tratamento. Para ele, a leishmaniose é uma doença que deve ser levada a sério, pois pode levar a morte. “Entre as principais causas de óbito estão as infecções generalizadas, sangramento e insuficiência hepática. A leishmaniose tegumentar pode produzir deformações graves nas mucosas do nariz e céu da boca que podem ser irreversíveis”, conta.

 Casos em Prudente

O professor explica que a leishmaniose, assim como outras doenças negligenciadas, não recebe a devida atenção dos órgãos governamentais e da população, o que ocasiona a necessidade da realização de campanhas e estudos entre instituições que contribuam com a prevenção e alerta para a sociedade. “Em Presidente Prudente há uma verdadeira cultura, diria até adoração ao lixo. Desde regiões centrais até a periferia existem os chamados lixões clandestinos. As pessoas escolhem locais onde descartam sofás, colchões, televisores, restos de jardim e até mesmo lixo doméstico”, revela.

Em toda região oeste do estado de abrangência da DRS-11 de 2000 a 2018 o mosquito palha foi encontrado em 77,8% dos municípios, sendo que em 69% havia cães infectados e em 42,2% humanos infectados. Em parâmetros municipais, o primeiro caso de leishmaniose foi registrado em 2013 e até junho de 2021 foram notificados pela Vigilância Epidemiológica dez casos em humanos. Em cães o número chega a 63, segundo dados do Centro de Controle de Zoonoses.

Prevenção

De acordo com o médico pesquisador, existem medidas que são preconizadas pelo Ministério da Saúde e que devem ser realizadas para sanar esse problema. “Por exemplo, o diagnóstico precoce e tratamento das pessoas infectadas; o controle dos cães que são os principais reservatórios e capazes de dispersar e manter o processo infeccioso em uma comunidade; e o controle do vetor (mosquito-palha) como ações de coleta e destino seletivo do lixo doméstico devido à capacidade de atrair roedores ou animais dos quais o mosquito-palha se alimenta e se reproduz. Além de pulverização de residências onde cães infectados ou humanos foram encontrados”, ressalta.

Ainda de acordo com o Dr. Luiz Euribel, além das ações realizadas por instituições particulares, como as campanhas de prevenção desenvolvida pela Unoeste, existem órgãos do estado de São Paulo que exercem diversas ações junto ao governo estadual. “Instituto Adolfo Lutz, que faz o diagnóstico laboratorial de cães e humanos; Sucen, que faz a monitorização dos vetores, e a Vigilância Epidemiológica Estadual, que monitora os casos a nível do estado. Em Prudente o trabalho é feito pelo CCZ e pela Vigilância Epidemiológica Municipal”, diz.

Campanha de prevenção!

 

Fique ligado e previna-se! A universidade, em parceria com a Prefeitura de Presidente Prudente, realiza campanha de prevenção à leishmaniose. Saiba mais pelo telefone (18) 3226-0920. O CCZ disponibiliza informações dos casos notificados neste link

Fonte: Assessoria de Imprensa Unoeste

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