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Sigilo no trato com pacientes de HIV/Aids é tema de estudo

Publicado em 30/11/2018
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Sigilo

 Pesquisa do curso de Enfermagem da Unoeste caracteriza perfil e avaliação percepção da equipe de enfermagem

O L. P., 35, sentia cansaço e dores nas juntas, decidiu fazer uma bateria de exames. Enquanto aguardava o resultado do check-up recebeu um telefonema. “Ligaram dizendo pra eu ir antes, fiquei angustiado. Pensei: deve ter alguma coisa errada”. O médico disse que a saúde do paciente estava perfeita, exceto por um detalhe: reagente positivo para HIV. “Fiquei em transe, saí sem enxergar nada”, conta.

A partir daí, ele passou a utilizar os serviços do Centro de Testagem e Acompanhamento (CTA), do Ambulatório Médico Municipal (AMM), de Presidente Prudente (SP). E já faz quatro anos. “Fui sempre muito bem recebido por toda a equipe, o atendimento é perfeito, comportamento ético. Tenho uma vida normal”, detalha.

O relato do L. P. vai ao encontro de uma pesquisa desenvolvida no curso de Enfermagem da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), orientada pela docente Dra. Maria Rita Guimarães Maia, que trata do “Sigilo e privacidade no cuidado de Enfermagem ao paciente com HIV/Aids: questão ética”. Neste sábado (1º), é o Dia Mundial da Luta contra a Aids, que abre o mês da conscientização sobre a doença. Por isso, o foco da pesquisa foi caracterizar o perfil da equipe de enfermagem do AMM avaliando a percepção dos profissionais com relação ao sigilo.

O estudo qualitativo levantou como funciona o atendimento ao paciente por meio dos relatos dos profissionais entrevistados. E os caracterizou como sendo enfermeiros e técnicos entre 41 e 58 anos, com mais de 18 anos de formação e que possuem compromisso com a ética e sigilo quando da abordagem, testagem e tratamento dos pacientes.

“Ficamos surpresos e felizes com o comprometimento ético dos profissionais, pois até durante a pesquisa, organizavam prontuários de forma cuidadosa para evitar que tivéssemos acesso à identificação dos pacientes”, relata Maria Rita.

Ponto positivo para um município que registra aumento de 45% nos casos de Aids e 32,95% nos de Sífilis. No caso da Aids, o público masculino com a doença cresceu  65%, enquanto no de Sífilis o aumento de 66% foi para o público feminino. “As pessoas estão mais relaxadas, perderam o medo da contaminação”, afirma a professora.

Saúde em números

 O Ambulatório Médico de Presidente Prudente (SP) é a entidade responsável pela testagem, diagnóstico, aconselhamento e acompanhamento terapêutico de pacientes portadores de HIV/Aids e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

De janeiro a agosto de 2018, foram contabilizados 64 casos de Aids e 117 de Sífilis no município.  Só de atendimentos, no segundo quadrimestre de 2018, foram 888 pacientes no AMM; um aumento de 8,8% com relação ao período em 2017, que registrou 816 pacientes consultados. O público-alvo é composto por jovens e homossexuais entre 19 e 30 anos;

No país, de 1980 a junho de 2018 foram identificados 926.742 casos de Aids, segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. A distribuição proporcional neste período mostra uma concentração nas regiões Sudeste e Sul, correspondendo cada qual a 51,8% e 20% do total de casos. Anualmente, o país tem registrado uma média de 40 mil novos casos de Aids nos últimos cinco anos.

Fonte: Assessoria de Imprensa Unoeste

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